VOCÊ JÁ PREGOU DE IMPROVISO?

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VOCÊ JÁ PREGOU DE IMPROVISO?

Por pastor Silvano da Silva Reis.

Essa pergunta feita em meio de pregadores habituados a elaborar sermão pode ser respondida pela maioria com um não. Isso porque os seminários e cursos de pregadores ensinam a seus alunos primar pelo preparo tanto espiritual como material (esboço) do sermão.

Assim a maioria dos pregadores chegam ao púlpito com uma mensagem de três pontos ou cinco pontos pré-definida, com as ilustrações preparadas e assim sem muitas surpresas entregam a mensagem de  Deus aos corações de seus ouvintes.

Contudo essa mesma pergunta em meio pentecostal será respondida prontamente com: Sim! Claro!  Eu só prego de improviso, somente prego o que Deus me dá ali na ora, no altar.

Posso entretanto afirmar que o sermão de improviso não significa, de todo, que o pregador não tenha uma preparação de pensamento; pois, evidentemente, com o passar dos anos, o pregador consegue arrumar na imaginação uma bagagem imensa das experiências espirituais mais profundas. Quando o sermão de improviso é sugerido diretamente pelo Espírito Santo não existe nenhuma desvantagem.

Severino Pedro da Silva em seu livro “Homilética, o Pregador e o Sermão” narra um episodio acontecido com o grande pregador Spurgeon que diz ter vivenciado ao longo de seu ministério varias experiência de ter que pregar de improviso e essa que transcrevemos a seguir mostra bem como um pregador deve ser obediente a voz do Espirito Santo. Spurgeon citado por Severino narra o seguinte: “Uma vez, na rua New Park, passei por experiência singular. Eu tinhapassado com felicidade por todas as partes iniciais do culto de domingo à noite, e estava anunciando o hino anterior ao sermão. Abri a Bíblia para achar o texto que tinha estudado cuidadosamente como o tópico do discurso, quando na página oposta outra passagem da Escritura saltou sobre mim como um leão de uma moita, com muitíssimo mais poder do que eu sentira ao considerar o texto que havia escolhido.

“O povo cantava e eu suspirava. Eu estava esprimido de ambos os lados, e minha mente pendia como em pratos de balança.

“Naturalmente, eu estava desejoso de seguir a trilha que tinha planejado cuidadosamente, mas o outro texto não queria aceitar recusa, e parecia puxar-me pela orla do casaco, gritando: Não, não! Você tem que pregar sobre mim. Deus quer que você me siga. Eu deliberava dentro de mim quanto ao meu dever, pois não queria ser nem fanático nem incrédulo, e por fim pensei comigo mesmo: Bem, eu gostaria de pregar o sermão que preparei, eé um grande risco meter-me a traçar nova linha de pensamento. Mas como esse texto insiste em constranger-me, talvez seja do Senhor, e portanto me aventurei com ele, venha o que possa vir. Quase sempre anuncio as minhas divisões logo depois da introdução, mas nessa ocasião, contrariamente ao meu costume, não o fiz, pela razão que talvez alguns de vocês (seus alunos) adivinhem.

“Passei pelo primeiro subtítulo com considerável liberdade, falando perfeitamente, de improviso, quanto ao pensamento e à pa­lavra. O segundo ponto foi tratado com a consciência de um poder incomum, tranqüilo e eficaz, mas eu não tinha idéia do que seria ou poderia ser o terceiro, pois o texto já não oferecia mais conteúdo, e eu nem poderia dizer agora o que teria feito, se não ocorresse um fato que eu nunca teria imaginado. Tinha me metido em grande di­ficuldade, obedecendo ao que julgava ser um impulso divino, e me sentia relativamente sossegado sobre isso, crendo que Deus me so­correria, e sabendo que ao menos poderia encerrar a reunião se não houvesse mais nada que dizer. Não tinha que ficar deliberando, pois de repente ficamos em completa escuridão. O gás se acabara, e os corredores da igreja estavam repletos de gente, e os lugares todos estavam superlotados; havia grande perigo, mas também houve grande bênção. Que deveria fazer eu então? Os presentes assusta­ram-se um pouco, mas eu os tranqüilizei na hora, dizendo-lhes que não se alarmassem por faltar a luz, pois logo seria reacendida; e quanto a mim, como não tinha manuscrito, podia falar com luz ou sem luz, desde que eles tivessem a bondade de sentar-se e ouvir. Se o meu discurso fosse muito elaborado, seria absurdo continuá-lo. E assim, no aperto em que eu estava, fiquei livre do embaraço. Vol­tei-me mentalmente para o bem conhecido texto que fala do filho da luz andando nas trevas, e do filho das trevas andando na luz, e vi que se me derramavam observações e ilustrações apropriadas; e quando as luzes se acenderam, vi diante de mim um auditório tão arrebatado e subjugado como nenhum outro homem jamais viu em sua vida.

O estranho nisso tudo foi que, passadas algumas reuniões da igreja, duas pessoas foram à frente para fazer a sua confissão de fé, e declararam que foram convertidas naquela noite. A primeira deveu a sua conversão à primeira parte da pregação, sobre o novo texto que me viera, e a outra atribuiu o seu despertamento à última parte, ocasionada pela súbita escuridão. Todos os pregadores agrupando-se em torno do seu ministério. Portanto, digo: observem o curso da Providência… subam ao púlpito firmemente convictos de que receberão uma mensagem quando chegar a hora, mesmo que não tenham uma palavra naquele momento.”

E você já pregou de improviso?

Deixe um comentário nos dizendo sobre sua experiência de pregador.

 

 

 

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pastorsilvano

Bacharel em Teologia, pós-graduando em Docência do Ensino Superior. Membro da Comissão de Ética da Convenção das Igrejas o Brasil Para Cristo -MG. Fundador e Coordenador do Seminário Setevit ( Seminário Teológico). Editor do Escola para Pregadores. Pastor Atuante em Santa Cruz de Minas e Tiradentes - MG

Website: http://www.escolaparapregadores.com

3 Comentários

  1. raimundo ferreira dos santos

    peço que continue mandando sempre os book estou aprendendo muito inclusive prego a palavra de Deus com mas intimidade depois das suas liçoes só tenho agrandecer a Deus primeiramente e a vc pelo coração maravilhoso que tens

    • Raimundo obrigado pelo comentário. É sempre bom saber que nosso trabalho é útil a alguém.
      Deus te abençoe!

  2. Paulo Almeida

    Já preguei de improviso,é uma experência muito válida quando temos convicção que a mensagem revelada vem de Deus.porque ela alcaça o seu propósito e o nome do Senhor é glorificado.obrigado pelo texto.

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