CONECTE OS OUVINTES POR MEIO DO DIÁLOGO
CONECTE OS OUVINTES POR MEIO DO DIÁLOGO
Uma via de duas mãos pode ser pavimentada com ouro
Por : Jeffrey Arthurs
Postado por Escola para Pregadores.
A pregação tem uma longa tradição de comunicação de uma mão. Você talvez cogite fazer a experiência, porém, de outra alternativa bem condizente com nossa cultura: o diálogo. Aqui estão várias razões para considerar o uso da comunicação de duas mãos com sua congregação.
Os pregadores da Bíblia usavam o diálogo
Quando Jesus ensinava, ele raramente se limitava ao monólogo. O Novo Testamento registra que ele fez 153 perguntas. “De quem é esta imagem e esta inscrição?” (Mt 22.20; Mc 12.16, Lc 20.24) “Qual destes três [...] foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” (Lc 10.26). Paulo também usava o diálogo. Em Atos, Lucas usa o termo dialegomai pelo menos dez vezes para caracterizar a comunicação de Paulo. Os termos significam “discutir, debater, argumentar”. Paulo “discutiu com eles com base nas Escrituras” (At 17.2). “Discutia na sinagoga [...] bem como na praça principal, todos os dias” (17.17). Ele “[argumentava] convincentemente acerca do Reino de Deus” (19.8). Evidentemente, Paulo sentia que era sábio um arauto se envolver em diálogo.
Temos campos diferentes de experiência
Os ouvintes ouvem as palavras do pregador por meio das suas próprias lentes. Para que a comunicação ocorra, emissores e receptores precisam dançar uma dança mental intrincada a fim de construir significado. Max Warren chama essa dança de “pensamento quádruplo”. Ele diz: “Pensar de forma quádrupla é pensar bem sobre o que direi, depois pensar bem sobre como a outra pessoa pode entender o que eu digo e, a seguir, repensar o que tenho a dizer, para que, quando eu o disser, a outra pessoa pense o que eu estou pensando”. O diálogo é indispensável a comunicadores que se engajam no pensamento quádruplo.
Vivemos em uma sociedade pluralista
Os estado-unidenses valorizam a liberdade de expressão e acreditam que todos os seres humanos são criados iguais. Toda pessoa tem o direito de ter e expressar sua opinião. Nessa cultura, os pregadores querem evitar dar a impressão de dominar seus ouvintes.
Muitas formas de dialogar
Há muitas formas de introduzir mais comunicação de duas mãos em seu sermão. Cada situação de pregação tem suas próprias regras. Pregadores que querem tentar algo novo precisam ser almas corajosas, mas talvez uma ou duas dessas sugestões funcionarão em sua igreja.
Pergunta e resposta — platéia para o pregador
Os oradores freqüentemente usam esse método logo após a mensagem, mas também podemos permitir que as pessoas façam perguntas no meio do sermão. Você pode querer usar frases deste tipo para induzir ao feedback. “Isso ficou claro?”,
ou: “Preciso esclarecer alguma coisa?”. Isso coloca a responsabilidade pela clareza sobre o pregador, de forma que os ouvintes não se sentem tolos por perguntar.
Pergunta e resposta — o pregador para os ouvintes
Podemos fazer perguntas tanto abertas como fechadas à congregação. Por exemplo, para manter a atenção dos ouvintes, o pregador poderia usar uma pergunta fechada: “O que é a Grande Comissão?”. Perguntas abertas são ainda mais poderosas: “Quem o povo diz que eu sou?” (Mc 8.27). Para ensinar como Jesus, podemos fazer uma série de perguntas: “Do que as pessoas mais têm medo? Do que você mais tem medo? Que lugar a oração tem na sua luta contra o medo?”.
Perguntas retóricas
Essas são realmente simples de usar e podem ser tão eficientes quanto o diálogo “real”. Elas ocupam os ouvintes com um diálogo mental com o pregador.
Entrevistas
Antes, depois ou mesmo no meio de uma mensagem, por que não trazer à frente uma pessoa com experiência de primeira mão no assunto da mensagem para reforçar o ponto? Tanto os ouvintes quanto o pregador podem fazer perguntas à pessoa.
Testemunho
Os ouvintes participam vicariamente nas idéias e emoções de histórias pessoais. Tente dar seqüência ao seu sermão com uma história de alguém que “esteve ali, fez aquilo”. Rick Warren, pastor da Saddleback Community Church, usa o testemunho toda semana para aumentar o impacto de suas mensagens.
Representação e teatro
Esse método também cria identificação. Como uma variante do uso comum do teatro, entrelacei uma seqüência de cenas em um sermão chamado “Um Dia na Vida de um Cristão”. Esse sermão pretendia mostrar aos que consideravam a possibilidade de se tornar cristãos como é ser cristão. O sermão começou com uma introdução normal, mas depois introduziu uma personagem chamada Joana Cristã.
Perguntei aos ouvintes se eles poderiam acompanhá-la durante seu dia, e à medida que ela encontrava várias provações e triunfos, dialogávamos, ou eu comentava diretamente com os ouvintes o que acabara de ocorrer.
Estrutura do sermão baseado no diálogo
O esboço de um sermão pode adotar a forma de perguntas e respostas. Ao antecipar perguntas de ouvintes quando ensina sobre o batismo, você pode usar este esboço:
O que o batismo significa?
Quem deve ser batizado?
O que o batismo realiza?
Como o batismo deve ser feito?
A reação pré-sermão
O falecido professor de pregação de Dallas, Keith Willhite aconselhava com insistência: “Pare de pregar no escuro! Receber o feedback não é suficiente”. Tente reunir as idéias e experiências das pessoas antes de você pregar e use-as na preparação do sermão.
Reação pós-sermão
O feedback pode mostrar aos pregadores em que áreas mais ensino é necessário. (Advertência: você precisa se humilhar para ouvir a maioria dos comentários das pessoas. E os comentários também podem fazer com que você se torne humilde). Dietrich Bonhoeffer diz: “E característico do pregador que ele simultaneamente questione e proclame. Ele precisa perguntar junto à congregação e formar uma comunidade socrática’ — do contrário, ele não poderia dar nenhuma resposta. Mas ele pode responder e precisa, porque sabe a resposta de Deus em Cristo” (The Communion of Saints [A comunhão dos santos]).
Penso que você pode descobrir que encorajar mais a comunicação de duas mãos em sua pregação acaba por revigorar você, a comunidade da sua igreja e seus sermões.
Fonte: A arte e o oficio da Pregação
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